segunda-feira, 19 de outubro de 2015

The Logic of Gender On the separation of spheres and the process of abjection

Sex is the flip side of gender. Following Judith Butler, we criticise the gender/sex binary as found in feminist literature before the 1990s. Butler demonstrates, correctly, that both sex and gender are socially constituted and furthermore, that it is the “socializing” or pairing of “gender” with culture, that has relegated sex to the “natural” pole of the binary nature/culture. We argue similarly that they are binary social categories which simultaneously de-naturalise gender while naturalising sex. For us, sex is the naturalisation of gender’s dual projection upon bodies, aggregating biological differences into discrete naturalised semblances. 

While Butler came to this conclusion through a critique of the existentialist ontology of the body, we came to it through an analogy with another social form. Value, like gender, necessitates its other, “natural” pole (i.e. its concrete manifestation). Indeed, the dual relation between sex and gender as two sides of the same coin is analogous to the dual aspects of the commodity and the fetishism therein. As we explained above, every commodity, including labour-power, is both a use-value and an exchange-value. The relation between commodities is a social relation between things and a material relation between people


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Um adão passeando pela brisa da tarde

Nunca te amigues numa rede social com um escritor vivo de que gostes, as consequências são inusitadas e imprevistas. No último ano li o Mário de Carvalho escrever no seu mural sobre o valor da pátria acima de outros ou como valor em si, li o escritor saudar os valores da civilização ocidental sobre os acontecimentos do Charlie Hebdou, noutro momento a dar vivas à civilização contra não-sei-que-barbárie que habitaria não-sei-em-que-lugar fora dela. A genealogia seria Atenas, Roma, o império de Carlos Magno, o império Austro-Húngaro, a Europa das Luzes, a Revolução Francesa e a as democracias do pós-guerra? Qualquer coisa assim porque essa civilização é a Europa. Esta semana o escritor convida as mulheres (citanto correctamente convida as "senhoras") a apreciarem os atributos físicos dos candidatos masculinos às eleições legislativas em vez de encherem a boca com o "machismo" de algumas intervenções na campanha que versaram as qualidades físicas de candidatas femininas. O círculo completa-se nesta relação estreita entre nação e machismo. Como bem sublinharam algumas camaradas curdas, a existência e a forma do estado-nação está imbricada nas relações de poder entre dominado e dominador, e nestas a desigualdade entre homem e mulher é matricial e necessária. A barbárie está em todo o lado, felizmente.

domingo, 13 de setembro de 2015

No Brasil um dos maiores espólios de fotografia sobre escravatura




 "In Brazil today, at least 600,000 people are formally registered as domestic staff — nannies, cooks, cleaners. And of those, 96 percent are women. More than half of those women, according to recent statistics, are from the darker-skinned, poorer sectors of society.
The nannies who work with the wealthy are all obliged by tradition to wear white uniforms. (Private clubs only allow nannies to enter with their charges if they are dressed in white). If you look at the pictures from the Moreira Salles Institute, you can see that tradition began with slavery in Brazil.
Sonia dos Santos is a professor and an activist with the black women's rights group Criola. I showed her the images and asked her what she thought of them. She said it reminded her of a statistic she recently heard, that 1 in 5 black women are domestic workers in Brazil today.
"This social condition of inferiority ... is more than just because they are domestic workers, it's because they are black and because they are women," dos Santos says. During slavery, black men were deemed more valuable than black women, even though black women were a huge part of the slave economy" 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A história da menstruação pela Disney

Para explicar à Cinderela e à Branca de Neve o que era ter o período a Disney, com o patrocínio de uma empresa de pensos e tampões, fez este filme em 1946.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O sangue azul é venoso, ou seja, pobre em oxigénio

Nunca tendo lido nada escrito por ele até à data fiquei deveras impressionada.
Também os mais idosos deveriam preocupar-se pois, pela mesma lógica, poderá a vir a ser no futuro “ despenalizada a interrupção da velhice” a pedido dos familiares! Os velhos física ou mentalmente inválidos são um grave problema para as famílias e um peso económico para a sociedade.Talvez seja um sinal para nós o dia 11 de Fevereiro ser o dia de N. Senhora de Lourdes, que disse à jovem Bernardette:
“Eu sou a Imaculada Conceição” (referindo-se ao "pecado original"). O que quer dizer: Eu sou Imaculada desde que fui concebida. Deus tem um projecto para cada um de nós, e ao impedir o nascimento de um ser humano estamos a hostilizar o Criador.
Muito mais grave será se for a Nação Portuguesa a fazê-lo oficialmente.
 
Dom Duarte de Bragança em 2007 a dias do referendo sobre a despenalização da IVG

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A linguagem é determinante na informação sobre violência de género

 "Las películas de psicópatas y asesinos en serie constituyen una socorrida variante para que los relatos se deleiten en el voyeurismo sádico contra las mujeres. En efecto, la introducción de una figura de diabólico perturbado permite mostrar con suma complacencia -pero salvaguardando las formas- el sufrimiento de las mujeres. (…)“No soy yo quien hace sufrir a esta mujer, es un malvado. Yo sólo me limito a mostrarlo y tú te limitas a mirarlo”.
Pilar Aguilar

F.-¿Qué películas nos recomienda para aproximarnos adecuadamente a la realidad del feminicidio?
S.H.-Algunos documentales como Señorita extraviada, Bajo Juárez, La carta, Ni una más u On the edge, realizan un estupendo trabajo en este sentido y consiguen una alta identificación de la espectadora o espectador con las protagonistas del relato que en este caso son madres y hermanas de las mujeres asesinadas, así como expertas y activistas contra el feminicidio.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Espalharam a fome e a miséria e ainda vêm aos nossos úteros

Diogo Pimentão, We find wildness


Bem podem dizer muitos católicos que a Igreja evolui e que o grupo talibânico de Isilda Pegado é uma minoria que não os representa. Podem dizê-lo sem grandes consequências, a verdade é que, a coberto da apresentação de uma petição abjecta vinda deste grupo, o governo apresentou, à revelia da participação dos principais intervenientes na área, a proposta de implementação de taxas moderadoras para o acto médico da ivg bem como o fim da baixa médica para a mulher que interrompe voluntariamente a gravidez. O CDS, aquele partido dos 11% que governa o país como se representasse metade dos votos que elegeram os dois partidos em coligação, vai mais longe que o PSD e diz que está disposto a apoiar algumas das ideias da petição como a consulta ao homem que participou na fecundação. Se for possível imaginar tal processo ficamos sem saber para que serviria esta consulta, para ficar em acta? O que sabemos é que, a poucos meses do fim desta legislatura, este governo pretende deixar de forma cobarde, anti-democratrcamente, como foi apanágio do seu mandato, mais uma marca das suas políticas de retrocesso social e político.
E o que já sabíamos mas não será demais lembrar é que a ideologia do CDS se revê na ideia da mulher tutelada por um homem, ao espírito de um certo tempo de uma certa época. É a este partido que compete a responsabilidade, por exemplo, da Segurança Social, impregnando com as suas ideias de desigualdade um instituto que é um garante da coesão social. Impregnando de lugares para os boys este ministério como no do Ambiente, como já o tinham feito na Defesa no tempo do governo Durão Barroso, aumentando, à maneira de um conde de Abranhos, a sua influência como nunca o fariam se ela resultasse de uma representação política. O partido que recebeu directamente na sua conta bancária (do BES bem entendido) dinheiro da venda de submarinos é o partido responsável pela venda da TAP. É difícil encontrar pior no espectro partidário português da última década. É nesta coerência na sujeira que a petição pelo direito a nascer encontra eco nas suas propostas de aviltamento da mulher. Não há contradições, quem se comporta e age no mundo para que ele seja mais desigual e injusto será o primeiro a atacar um gesto de liberdade, como é, neste caso, o da mulher ser dona do seu corpo.