quinta-feira, 7 de maio de 2015

Maria Capacho

Não tem sido fácil pegar nas questões que levanta um projecto como é o site da Rita Ferro dedicado às mulheres. Porque se por um lado parte do pressuposto de que há um problema preemente nas questões da igualdade de género, com o qual é fácil concordar, e se dá voz a alguns textos interessantes, por outro lado, através da vivificação de uma ideia de mulher encosta-nos de novo ao sítio de onde queremos e precisamos de sair. Basta tão somente abrir a página e eis que a pub a dar as boas vindas são papas nestlé para o bebé e imagens de mulheres esbeltas e uniformes vestidas e despidas pela H&M (a mesma que explora milhares de mulheres noutras latitudes). Os produtos que escolheram este site para fazer a sua publicidade encontram no projecto emancipador da condição feminina uma aceitação que confirma de forma imediata os papéis de mãe e de boneca para vestir a que a cultura dominante procura encostar, irredutivelmente, a categoria mulher. Ou seja, longe de questionar estes papéis, recusando, por exemplo, uma publicidade tão óbvia e evidente, o site inscreve-se numa lógica não muito diferente desta escolha como podemos descobrir pesquisando um pouco no conteúdo propriamente dito. 



Num artigo sobre uma design que inventou estas t-shirts descobrimos que foram feitas a pensar em libertar a mulher da categoria violenta de bitch e transformar a categoria nas coisas que todas gostaríamos de ser. Mas são as mulheres que querem ser belas, inteligentes, talentosas, charmosas e hot mesmo que em dias alternados? Ou são os seres-humanos em geral e em particular alguns com mais insistência? Que acto provocador ou emancipatório existe em insistir que é a mulher que quer ou se pretende bela? Que charme existe em alguém que longe de contestar as categorias que a enunciam antes dela existir procura encaixar-se e conformar-se a isso tudo?

Sem comentários:

Publicar um comentário